Resenha: “A criação da realidade social: as organizações vistas como culturas”
Mais uma resenha que foi demandada na pós-graduação, novamente do livro de Gareth Morgan “Imagens da organização”, porém desta vez do quinto capítulo. Percebi um certo sucesso da resenha que anteriormente eu publiquei de um texto dele, e resolvi trazer mais uma do autor. O capítulo em questão aborda uma interface da gestão com a antropologia, quando tenta construir uma metáfora para firma através do conceito de cultura: as empresas seriam, também, complexos sociais dotados de elementos culturais próprios. Trata-se de uma interessante discussão que pode ser iniciada com o texto de Morgan – mas que deve, inevitavelmente, seguir pelos inúmeros avanços posteriores (e discussões precedentes) no campo.
Continue Reading Add comment Novembro 18, 2009
Resenha: “Economia solidária e dádiva”
Esta resenha, também preparada por demanda de uma das disciplinas do curso de mestrado, aborda o interessante tema da Economia Solidária no texto de um dos principais autores (também um militante) do campo no Brasil, o Genauto Carvalho. Há ainda um acréscimo de riqueza neste processo, já que o texto foi elaborado para a disciplina que este professor ministra. Assim, na resenha sobrevive não só o texto escrito, mas também expressões do que foi discutido em sala e em conversas com o professor e estudantes do curso. Fica o convite para adentrar aos estudos da Economia Solidária, e compreender sua pretensa luta para ressignificação do agir econômico.
Continue Reading 1 comment Outubro 29, 2009
Honduras, a face real do Capital
Nas últimas semanas pudemos acompanhar “em tempo real” o desenrolar de algo verdadeiramente difícil de se enxegar normalmente. Não se trata do óbvio, um golpe contra um presidente que se afirma “de esquerda” é algo corriqueiro nestes lados do mundo. O foco aqui é o que acredito que está por trás disto: o modus operandi da administração política capitalista diante de uma crise. Não estamos tratando, obviamente, da tão falada dês-mobilização do capital financeiro nos países centrais da Europa e América do Norte, que se convencionou chamar de crise capitalista. Aqui chamamos de “crise” a contestação de alguns dos valores capitalistas operada por governantes d’alguns países sul-americanos nos últimos anos, com suas contradições e incoerências.
Veja o caso de Honduras.
O atual presidente eleito, Manuel Zelaya, é herdeiro de uma família de poderosos fazendeiros. Ao chegar ao poder tentou por em prática um projeto de redução da pobreza, mas não encontrou apoio entre os endinheirados locais e o Banco Mundial ofereceu a significativa (risos) ajuda de U$ 10 milhões. Foi do governante venezuelano, Hugo Chaves, que recebeu uma quantidade significativa de recursos, em formato de empréstimos, para o projeto. Depois disto aderiu a “alternativa bolivariana” e passou a propor e implementar medidas que iam de encontro aos interesses das elites locais: (1) aumentou o salário mínimo em 65%; (2) se aproximou de Cuba, chegando a pedir desculpas por seu país ter apoiado os EUA durante a guerrilha; e (3) até mesmo declarou na ONU que o capitalismo estava a “devorar pessoas”. Com tais medidas rapidamente Zelaya se viu isolado no governo, sem apoio da elite, do congresso e nem mesmo em seu partido.
No entando o marco inicial do atual imbróglio (a “desculpa” por assim dizer) se deu quando o presidente hondurenho pretendia fazer uma consulta popular e transferir para o povo a decisão de convocar uma Assembléia Constituinte. Sua vontade era, a partir dai, fazer surgir uma nova Constituição que contemplasse, dentre outras reformas, a possibilidade de reeleição presidencial. De fato, era uma estratégia para demonstrar a força do apelo popular que julgava, com razão, possuir.
Este artifício foi de encontro ao interesse do Capital hondurenho, apesar da proposta prever reeleição só a partir do mandado seguinte. Viam que, se Zelaya conseguisse amplo apoio do povo em um pleito desta magnitude, seria difícil resistir a futuras reformas. A Suprema Côrte considerou ilegal a proposta de consulta popular, e então a oposição e os militares utilizaram a proibição constitucional à democracia direta (?) como pretexto para depô-lo num golpe. O que aconteceu de fato foi uma antecipação ao quase certo fortalecimento político do presidente, depuseram-no “preventivamente”, como que para fazer eco à doutrina Bush.
Acredito que algumas lições podem ser abstraídas da observação dos acontecimentos recentes em Honduras:
1. O Capital sempre usa de todos os artifícios possíveis para se manter no poder. Se, num determinado momento, defender a democracia o permite tomar as rédeas, o capital torna-se democrata; mas, se a democracia ameaçar a acumulação de capital, este não tem pudores de se voltar para o autoritarismo. De fato, e a história parece demonstrar isto, se em um país as discussões políticas se dão num nível alto de respeito mútuo às diferenças, é por que isto está agradando as elites: quaisquer reformas que por ventura dai aflorem são de seu interesse, ou ao menos do interesse da parcela hegemônica da classe capitalista.
2. Se houver uma contestação dos valores primários do Capital, as frações da classe capitalista se unem para abafara crítica, não importa quão acirrado esteja o ambiente de animosidade entre elas; mesmo que, como no caso de Honduras, isto signifique atacar um elemento de sua própria classe. Nestes momentos a classe capitalista demonstra uma consciência de unidade que jamais, em toda a história, a classe trabalhadora conseguiu sequer esboçar. E há quem duvide que as representações de mundo são eminentemente coletivas… rs…
A verdade é que não me sinto capaz chegar perto do esboço de uma análise completa da conjuntura hondurenha; não tenho conhecimentos nem fôlego para tanto. Estas são apenas algumas notas que estavam me inquietando e que, interessantemente, vêm sendo deixadas por uma parte significativa dos analistas políticos que têm abordado o caso em questão. Tais observações apontam para o que considero uma importante estrutura do modus operandi capitalista; pois são raros os momentos históricos recentes em que este exibe sua verdadeira face.
Sugiro ao leitor contemplar o Capital para tentar enxergá-lo não em sua roupagem ideológica, com orelhas de Mickey ou traje de palhaço, mas assim, quando se propõe a lutar para suprimir os direitos democráticos de um povo em nome de seu interesse; ou como na África testando medicamentos perigosos em extensas parcelas da população enquanto financia guerras tribais para acessar a zonas de mineração; ou empregando mão-de-obra escrava na China. Isto é a realidade do Capital. Uma realidade que, como afirma Slavoj Zizek, enoja a repugna quem se aproxima muito, mas que costuma se travestir com o melhor da alta costura a fim de esconder suas feridas.
Add comment Outubro 27, 2009
Resenha. “Na hora da crítica: condições e perspectivas para estudos críticos de gestão”
Resolvi aproveitar mais uma resenha. O texto “na hora da crítica: condições e perspectivas para estudos críticos de gestão”, lançado na RAE em 2006, mas originalmente um trabalho publicado em inglês na revista Human Relations em 2000, trás um balanço da ECG – os Estudos Críticos de Gestão. Trago a resenha não pela sua qualidade, mas como um incentivo para que vocês depois vão conhecer o texto resenhado, que pode ser acessado pela internet através do sítio da RAE (ou ao menos estava disponível antes). É interessante por colocar em perspectiva as muitas correntes críticas da administração, apontando suas fragilidades e contribuições, e mesmo as contradições internas a tal movimento. Eu defendo que os ECG não podem ser tomados como um todo, mas separados em “crítica concreta” e “pseudo-crítica”.
Continue Reading 2 comments Outubro 26, 2009
Resenha: “Interesses, conflitos e poder”
Este texto é uma resenha que preparei para o capítulo sexto do livro super citado, sempre lembrado de Gareth Morgan, Imagens da Organização. Tal resenha surgiu como demanda de uma disciplina do mestrado, e resolvi trazê-la para o debate neste veículo, já que ela não seria destinada à publicação. O livro de Morgan de fato tem sido muito usado na graduação e mesmo na pós-graduação em administração, apesar de se tratar de um manual, portanto contendo todas as falhas possíveis que este tipo de veículo pode apresentar. Mas, apesar de seu caráter limitado, e sua desatualização em relação à atual pesquisa organizacional (é um texto da década de 80), trás algumas questões que, normalmente, nós, administradores, esquecemos em nosso dia-a-dia.
Continue Reading Add comment Outubro 22, 2009
Produtividade no setor público supera a do setor privado
O Ipea avaliou a evolução da diferença de produtividade entre esses dois setores entre 1995 e 2006. “Em todos os anos pesquisados, a produtividade da administração pública foi maior do que a registrada no setor privado. E essa diferença foi sempre superior a 35%”, diz o presidente do instituto, Marcio Pochmann (foto). “Há muita ideologia e poucos dados nas argumentações de que o Estado é improdutivo, e os números mostram isso: a produtividade na administração pública cresceu 1,1% a mais do que o crescimento produtivo contabilizado no setor privado, durante todo o período analisado”, acrescenta.
Redação – Agência Carta Maior
A administração pública é mais produtiva do que o setor privado. Essa foi uma das conclusões a que chegou o estudo Produtividade na Administração Pública Brasileira: Trajetória Recente, divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. O Ipea avaliou a evolução da diferença de produtividade entre esses dois setores entre 1995 e 2006.
“Em todos os anos pesquisados, a produtividade da administração pública foi maior do que a registrada no setor privado. E essa diferença foi sempre superior a 35%”, afirmou o presidente do Ipea, Marcio Pochmann, ao divulgar o estudo. “No último ano do estudo [2006], por exemplo, a administração pública teve uma produtividade 46,6% maior [do que a do setor privado]. O ano em que essa diferença foi menor foi 1997, quando a pública registrou produtividade 35,4% superior à da privada”.
O estudo diz que entre 1995 e 2006 a produtividade na administração pública cresceu 14,7%, enquanto no setor privado esse crescimento foi de 13,5%. “Há muita ideologia e poucos dados nas argumentações de que o Estado é improdutivo, e os números mostram isso: a produtividade na administração pública cresceu 1,1% a mais do que o crescimento produtivo contabilizado no setor privado, durante todo o período analisado”.
Segundo o Ipea, a administração pública é responsável por 11,6% do total de ocupados no Brasil. No entanto, representa 15,5% do valor agregado da produção nacional. “A produção na administração pública aumentou 43,3% entre 1995 e 2006, crescimento que ficou mais evidente a partir de 2004. No mesmo período, os empregos públicos aumentaram apenas 25%. Isso mostra que a produtividade aumentou mais do que a ocupação”, argumentou o presidente do Ipea. “Esse estudo representa a configuração de uma quebra de paradigma, porque acabou desconstruindo o mito de que o setor público é ineficiente”, defendeu Pochmann.
Entre os motivos que justificariam o aumento da eficiência produtiva da administração pública, Pochmann destacou as recentes inovações, principalmente ligadas às áreas tecnológicas que envolvem Informática; os processos mais eficientes de licitação; e a certificação digital, bem como a renovação do serviço público, por meio de concursos.
O presidente do Ipea lembrou ainda que as administrações estaduais que adotaram medidas de choque de gestão, como São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, não constam entre aquelas com melhor desempenho na produtividade. “Ou tiveram ganho muito baixo, ou ficaram abaixo da média de 1995 a 2006″, afirmou, ressalvando que essa comparação não era objetivo do estudo, mas foi uma das conclusões observadas.
Link: http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16123
2 comments Agosto 29, 2009
Breve nota de (dês)esperança
Mais uma vez a Polícia Militar baiana entra em greve. Talvez não vejamos a barárie de 8 anos atrás, mas o fato é que estamos à mercê dos que não tem nada a perder – se fosse um cientista político de meia-pataca, diria que voltaríamos ao estado de natureza.
Tudo bem que, com a ausência da polícia, as classes média e alta ficam a mercê daqueles que são vítimas do processo de exclusão. Logo, o que se vê não é medo de barbárie, e sim temor de enfrentar sua vítima desprovido de seu aparato de poder. No fim, esta situação pode até conter algum nível de justiça (real) afinal.
Mas, o fato é que foi a estratégia de segregação defendida por esta classe que criou (novamente) esta situação; exatamente por acreditar que homens mal-pagos, pobres, mal treinados, mal acompanhados, mal educados, irão trabalhar ad infinitum para manter o “direito de propriedade” daqueles que os humilham. Esta Administração Política da Exclusão e da Maximização da Segregação parece, de fato, gerar frutos amargos que podem contribuir para uma ruptura não em direção a algo melhor, mas à barbárie.
Espero que nossos governantes percebam qual o rumo que está tomando este Estado administrado para valorizar o ridículo, fundado na incapacidade de mudar os rumos do desenvolvimento social. Falta a nossos administradores públicos coragem para deixar de lado o fácil e investir do que dá resultados concretos de longo prazo como educar o povo, investir em infra-estrutura de moradia nos bairros menos favorecidos, alterar a distribuição de riqueza, de conforto e de segurança.
Gostaria, senhores, de ter esperança que, neste mundo do imediatismo pragmático, alguém acordasse e pudesse olhar para além do palmo diante de seu nariz.
É a sólida dúvida sobre isto a fonte desta minha desesperança.
Add comment Agosto 10, 2009
Dopping e a ingerência do esporte
Nesta semana passada cinco atletas e dois treinadores da seleção brasileira de atletismo foram flagrados num exame surpresa, tendo utilizado a substância ilícita chamada EPO – eritropoietina – que aumenta número de hemáceas no sangue, incrementando a oxigenação. Os atletas foram suspentos por 2 anos, os técnicos, preventivamente afastados, podem até mesmo ser banidos do esporte.
Estes casos de doping no atletismo brasileiro são a ponta do iceberg do problema da ingerência do esporte no Brasil e no mundo. Um olhar simplista poderia, a princípio, colocar a culpa na falta de estrutura nacional para promoção do esporte, em nossa incapacidade de gerar sistematicamente equipes competitivas em uma ampla margem de práticas esportivas, com resultados significativos em competições internacionais. De fato, este é um problema. Mas, acredito que temos algo pior por debaixo disto.
Nas últimas décadas o esporte mundial, profissional ou amador, tem forçado os limites biológicos dos indivíduos, baixando cada vez mais os tempos, levando a resultados cada vez mais impensáveis anos atrás. Tudo isto graças ao incremento de técnicas de treinamento, inovações na medicina desportiva e mesmo graças ao desenvolvimento de tecnologias e equipamentos cada vez mais sofisticados. De certa forma, empresas, esportistas e comissões se uniram para elevar o desempenho do corpo humano quase à categoria de deuses – muito além do que um homem ou mulher comum pode realizar.
O lógica do esporte também mudou ou, dizem alguns, mostrou sua verdadeira face. Já não se trata mais de celebrar a capacidade do homem de se relacionar com seus iguais numa confraternização em torno da atividade esportiva – o caráter de relacionamento se perdeu em função da lógica individualisto do ganhar. Trata-se não mais de ser um esportista, mas de vencer, de chegar em primeiro, de quebrar recordes.
Esta semana passada a (ruim) revista Veja estampava em sua capa a chamada “Enfim, um herói” junto a uma foto de Cezar Cielo. Não por defender seu país numa competição, nem por ter feito um trabalho sério por anos, como todos na equipe de natação fizeram. Cielo, segundo o folhetim, é um herói por que venceu na “prova mais nobre da natação” – os 100m rasos. A lógica evidenciada é que nada importa, o trabalho não tem significado, não valem a dedicação e o esforço, se não houver a vitória. Os muitos nadadores que não chegaram a ser vitoriosos como Cielo tornam-se descartáveis, sem brilho, mesmo tendo trilhado percalsos e lutas semelhantes, pois, para aquele panfleto político, herói é o que ganha.
Quando o esforço perde valor e o que vale é ganhar, qualquer coisa torna-se lícita para atingir o objetivo, e isto é o que motiva o doping.
Por reforçar estes dois processos – a lógica do esporte e seu desenvolvimento tecnológico – geramos (nós, a sociedade que endossa isto) três consequências maiores:
1. A institucionalização do doping. Em algumas categorias ainda parece chocar, mas no baseball americano, ou no ciclismo, ou talvez mesmo entre as masculinizadas nadadoras recordistas mundiais, o doping é “quase” normal. As siglas se multiplicam, se especializam, se complexificam: HGH, EPO, HCG. Tais substâncias surgem porque são usadas, e não o contrário como se faz pensar. O doping – que altera perigosamente a química corporal em nome de um maior desempenho – está se tornando prática comum.
2. A transfiguração do humano. O esporte, em teoria, celebraria o indivíduo saudável, cuja forma de vida levaria a excelência da compleição. No entanto, as duas últimas décadas do século vinte foram marcadas por notícias de atletas de muitas modalidade acometidos de mortes súbitas ou doenças degenerativas – o que atingiria este grupo em proporções muito maiores do que os demais.
Não tenho dados para afirmar isto categoricamente, só especulativamente, mas parece que é mais perigoso para a saúde ser um esportista do que ser um sedentário.
Se repararmos com cuidado, atletas exibem corpos disformes a depender da cada categoria: corredores de longa distância são muito magros; de explosão são fortíssimos; jóckeis são muito pequenos; nadadores são altíssimos, magros e desengonçados; lançadores de peso são gordos; etc. Onde foi parar a idéia de que seus corpos são o exemplo da saúde.
3. A coisificação do humano. O que resta deste processo é que o homem esportista torna-se um objeto do esporte. A relação se inverte e, ao invés dos indivíduos praticaram o esporte dominando sobre ele para atingir seus fins de saúde, o esporte domina seus atletas para atingir seus fins desumanos contabilizados por números de recordes, medalhas. Os indivíduos, na sua extrema individualização em busca de vencer, perdem completamente sua individualidade tornando-se expressão amórfica do esporte transfigurado.
Claro que o esporte, em si, não é nada além de relações sociais. Então, que relações sociais estão por detrás desta completa transformação de algo bom em tragédia social?
Precisaremos de algum tempo de pesquisa e reflexão para responder isto apropriadademente. Até porque a primeira, e perigosa, tendência é querer culpar o Capital e a prática de englobar todas as esferas sociais sob seu domínio, o que pode fornecer uma resposta fácil. No esporte profissional, na NBA, no futebol, no Boxe ou no Turfe, parece que esta é a tônica sim – tanto as máfias de apostas como as empresas representam o Capital que tenta se valorizar a qualquer custo. Mas, e no esporte olímpico que, pelo menos superficialmente, parece menos dominado pela lógica de mercado? Precisamos olhar com mais cuidado para eles, de maneira crítica.
Acredito que talvez seja um problema, enfim, gestorial. Estamos deixando de lado a obrigação social de administrar um aspecto de nossa sociabilidade que, de certo modo, está se perdendo num lógica que não coaduna com nossos principais interesses, com os interesses da sociedade. Enquanto grupo, estamos deixando nossos heróis se perderem celebrando o que há de pior e mais errado neles, que é o individualismo pragmático. E, sendo niilistas, sempre tentamos nos protejer na afirmação de que tudo é assim mesmo e, portanto, temos que cuidar apenas do nosso interesse – e isto não é verdade, nada é naturalmente ruim ou bom, são nossas atitudes as fazem assim, logo, somos socialmente responsáveis. O esporte está se tornando nisto por conta de valorizarmos o erro e tratarmos isto com displicência.
Temos um problema sócio-gestorial nas mãos: como administrar o esporte de modo a torná-lo inspirador? Como evitar que se torne um circo de horrores?
6 comments Agosto 9, 2009
O golpe do “voto facultativo”
Há no Brasil um movimento nada discreto, capitaneado por parcelas de uma elite com resquícios autoritários que se diz libertária e “pensante”, em favor do cancelamento do voto obrigatório no país e a instauração do pleito facultativo. Esta medida é uma tentativa de alienar ainda mais os cidadãos da esfera política e visa tão somente a segregação social com vistas a separação definitiva entre o Estado e a sociedade civil, em favor dos interesses dos grupos dominantes no espaço societário nacional.
Continue Reading 2 comments Maio 21, 2009
Os “pilares” do Fórum Social Mundial
Esta semana o professor Boaventura Souza Santos publicou um breve artigo de opinião no sítio da Agência Carta Maior no qual nos fala a respeito dos pilares do FSM. Seriam, especificamente, (1) a reunião bianual do fórum, (2) as articulações mundiais entre os movimentos temáticos e (3) a assembléia dos movimentos sociais. O professor esqueceu de citar a importante articulação de ONGs mantidas pelas maiores empresas capitalistas do mundo, a maior parte do financiamento que representam, a incapacidade histórica do fórum apresentar propostas concretas e consistentes para os problemas que levanta, e o caráter reformista/assistencialista que não tem nenhuma intenção de contestar a ordem vigente da acumulação capitalista, mas aposta cegamente numa coexistência incoerente. Ponto pro Capital, que até a crítica a si mesmo conseguiu capitalizar…
Em tempo, qual será este outro mundo possível?
Add comment Fevereiro 13, 2009