Faz tempo que apareci aqui. Também, essas últimas semanas foram intensas de coisas MUITO ruins e MUITO boas. E durante minhas crises depressivas desde sempre eu já havia percebido uma coisa: quando estou mal assisto muita televisão (porque como um amigo me disse: televisão anestesia). E pude reparar uma coisa, existe uma imensa quantidade de reality shows de todos os tipos. Não assisto nada na tv aberta, só os canais da net (é, esnobe, eu sei) e na tv fechada reality é febre. Mas também leio muita coisa sobre tv aberta –até sei o segredo de Gerson de Passione– e sei que ela também tem trocentos shows assim. Isso me levou a pensar o por quê esse tipo de formato tem tanta audiência?
Busão do Brasil, A Fazenda, America’s next top model, (e Brazil´s next top model além do Menina Fantástica), Top Chef, Hell’s kitchen, Esquadrão da moda (ou What not to wear), Hipertensão, Ídolos, Keeping up with the Kardashians, Project Runaway e o mais conhecido, creio, Big Brother são alguns dos que me lembro agora. Alguns destes têm formato de competição outros apenas apresentam o dia-a-dia de uma família ou de uma pessoa. Aí entra a pergunta que me faço, e para qual não tenho resposta, o que há de tão interessante em acompanhar a vida de pessoas que você não conhece? Às vezes são de outros países, com uma realidade bem diferente da sua, classe social diferente da sua. Que tipo de identificação se processa entre o telespectador e os que estão do outro lado da tela?
Em realities de competição, como BBB ou America’s next top model existe o componente, comum creio eu, de ter-se um preferido. Existe um número determinado de componentes que vão sendo eliminados até restar um vencedor que tem direito a um prêmio. Quem assiste escolhe alguém para torcer e, se for esse o caso, conseguir levar seu preferido para final. O caso do BBB é o que melhor expressa isso, em toda edição um preferido é eleito pelo público que se descabela ligando ou votando via internet em seu favorito. Na internet mesmo, o negócio pega fogo nas discussões em blogs que dispõe algum texto sobre o programa. A edição da Globo expõe mocinhos e bandidos no melhor formato novela. E o povo torce, se comove, briga…
Eu até compreendo você (mais ou menos, não muito) acompanhar o dia-a-dia e, por algum mecanismo louco, achar que você se identifica com alguém que nunca viu e nunca verá. Mas o que dizer de realities como Keeping up with the Kadarshians? Acompanhar o dia-a-dia de uma família rica. Sim, e aí? Será que é porque as pessoas gostam de ver como os ricos se comportam? E esse show já teve 5 temporadas! E não tem nada. Tá, tem uns escândalos de vez em quando e mais nada. Que me importa ver a vida deles?
Já os shows temáticos são mais interessantes. Gosto de acompanhar Hell’s kitchen e Project Runaway (o primeiro sobre culinária e o segundo sobre design de moda) porque eu a já sei que no caso de Hell’s as duas equipes terão que gerir uma cozinha, servir e cozinhar. No segundo cada participante terá que desenhar, costurar e colocar sua modelo para desfilar uma roupa que seja sua própria criação. Ambos têm pouquíssimo tempo para fazer essas tarefas. Eles sofrerão para fazer as coisas em tempo hábil e depois serão massacrados por um júri, ou por chef Ramsay que vale por um júri inteiro. Você sabe que verá ofensas, brigas, sabotagem. Parece mais interessante, mas ainda assim vale a pergunta. Para que se deliciar com um programa onde os participantes serão ofendidos e humilhados? E não são críticas construtivas não. O negócio é feroz.
Talvez a resposta seja mesmo o que dizem, que a gente gosta de ver a miséria dos outros.
Rômulo Cristaldo
dezembro 10, 2010
Reality Show é como o teatro do absurdo grego, deliciamo-nos com ver em outras pessoas aquilo que há em nós – para os sádicos, há os BBBs da vida, para os demais criaram opções menos ofensivas. O que [não] me surpreende é que os ofensivos têm maior popularidade…
Camila
janeiro 4, 2011
Taí! Eu assisto o America’s Next Top Model com afinco. É uma cachaça que eu confesso. Já assisti 3 temporadas…
Ai vc me pergunta: Para que se deliciar com um programa onde os participantes serão ofendidos e humilhados? Ou porque assistir competições com pessoas nada a ver comigo?
e eu respondo:
No caso do America’s , gosto de ser massacrada pela ditadura da moda, de me sentir inferior e de torcer pela mais bonita! que bonita atitude não??
A verdade é que nos identificamos (ou não) com os personagens / participantes (como disse nosso amigo ai em cima) de forma a nos fazer inferiores – nos mesmos – de querer ser como alguém ali dentro, aquele que consideramos melhor. E isso é algo viciante, um sadomasoquismo inexplicável, coisas de ser humano…