Os limites do radicalismo individual

Publicado em janeiro 10, 2011 por

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Recentemente um amigo me enviou o vídeo abaixo como um “exemplo” de “radical”. Não pude deixar de ficar curioso e o assisti. Admito que fiquei bastante impressionado com as idéias do monólogo e quero convidar-lhe para fazer o mesmo. Claro, depois eu escrevi uma resposta comentando minhas impressões, que acredito seguirem a linha de interesses dos textos publicados aqui no blog. Convido-os para este debate.

Se não conseguir vizualizar, vá no link original do vídeo:
http://www.youtube.com/watch?v=NMn_1rQ3sms

Caro amigo,

É muito interessante o vídeo. Gostei muito dele.

A conclusão óbvia é que o limite da radicalização é a marginalização. Obviamente se o indivíduo decide romper com os padrões da sociabilidade – quando ele “radicaliza” – imediatamente se coloca à margem. O peso da sua decisão é o isolamento, a classificação de seu ato como “loucura” e a privação do acesso aos confortos técnico/tecnológicos que a humanidade dispõe.

O preço da liberdade daquele indivíduo é o abandono da coletividade pela negação da opressão que a “coisa social”, como diria Durkheim, impõe; no entanto, por mais opressora que seja, é a coletividade que constrói o indivíduo, e não o contrário; logo, ele se torna um “não-ser”. O extremo da individualização é, portanto, a dês-individualização.

Qual o valor de uma atitude assim? A meu ver, nenhuma. O “radical” que sacrifica sua individualidade e se dissocia simplesmente reafirma o padrão dominante ao permitir que o classifiquem como dissociado. Se torna o exemplo de como não fazer, um ícone de persuasão sistêmica que serve como alerta para os que ousem contestar a “ordem”: “fazer isto leva à loucura”.

Uma contestação válida da ordem só existe quando coletiva, e não individualizada. Apenas fundamentada na adesão de “classes” uma atitude “radical” tem poder. A meta, neste caso, não é abandonar a ordem, mas alterar o que é considerado ordem e formar um novo padrão. Assim, o indivíduo não dissocia seu ser do corpo social, mas se insere em um novo processo de socialização.

Em conclusão, radical mesmo é não se dissociar e travar batalhas em busca de justiça e do bem dentro da sociedade. Sucesso é fazê-lo sem se tornar um exemplo de fracasso, pois estes mais afastam do que auxiliam na convergência de indivíduos.

Mas, reafirmo, gostei muito do vídeo. Sobretudo porque me levou à esta reflexão.

Abraços e obrigado,

Rômulo

Publicado em: Crítica Social, Política