Recentemente um amigo me enviou o vídeo abaixo como um “exemplo” de “radical”. Não pude deixar de ficar curioso e o assisti. Admito que fiquei bastante impressionado com as idéias do monólogo e quero convidar-lhe para fazer o mesmo. Claro, depois eu escrevi uma resposta comentando minhas impressões, que acredito seguirem a linha de interesses dos textos publicados aqui no blog. Convido-os para este debate.
Se não conseguir vizualizar, vá no link original do vídeo:
http://www.youtube.com/watch?v=NMn_1rQ3sms
Caro amigo,
É muito interessante o vídeo. Gostei muito dele.
A conclusão óbvia é que o limite da radicalização é a marginalização. Obviamente se o indivíduo decide romper com os padrões da sociabilidade – quando ele “radicaliza” – imediatamente se coloca à margem. O peso da sua decisão é o isolamento, a classificação de seu ato como “loucura” e a privação do acesso aos confortos técnico/tecnológicos que a humanidade dispõe.
O preço da liberdade daquele indivíduo é o abandono da coletividade pela negação da opressão que a “coisa social”, como diria Durkheim, impõe; no entanto, por mais opressora que seja, é a coletividade que constrói o indivíduo, e não o contrário; logo, ele se torna um “não-ser”. O extremo da individualização é, portanto, a dês-individualização.
Qual o valor de uma atitude assim? A meu ver, nenhuma. O “radical” que sacrifica sua individualidade e se dissocia simplesmente reafirma o padrão dominante ao permitir que o classifiquem como dissociado. Se torna o exemplo de como não fazer, um ícone de persuasão sistêmica que serve como alerta para os que ousem contestar a “ordem”: “fazer isto leva à loucura”.
Uma contestação válida da ordem só existe quando coletiva, e não individualizada. Apenas fundamentada na adesão de “classes” uma atitude “radical” tem poder. A meta, neste caso, não é abandonar a ordem, mas alterar o que é considerado ordem e formar um novo padrão. Assim, o indivíduo não dissocia seu ser do corpo social, mas se insere em um novo processo de socialização.
Em conclusão, radical mesmo é não se dissociar e travar batalhas em busca de justiça e do bem dentro da sociedade. Sucesso é fazê-lo sem se tornar um exemplo de fracasso, pois estes mais afastam do que auxiliam na convergência de indivíduos.
Mas, reafirmo, gostei muito do vídeo. Sobretudo porque me levou à esta reflexão.
Abraços e obrigado,
Rômulo
Rômulo Cristaldo
fevereiro 2, 2011
O meu amigo me enviou uma resposta para o meu comentário, que reproduzo abaixo:
Olá Rômulo,
Muito boa sua reflexão.
O desafio é o equilíbrio entre o radical (raiz) e o conformismo. E isso requer paciência e perseverança. O “radical” acaba por aproximar-se por demais do ideal e esquece do real, ignora que o real sempre é muito aquém do ideal. Se equilibra as duas dimensões, ele faz o possível, o melhor nas condições existentes, sem perder o ideal, o utópico. Isso é difícil, árduo, exigindo uma constante re-flexão.
Vamos lembrar e utilizar a dialética marxista.
Prefiro a afirmação: é o ideal que transforma o real, que é o indivíduo que transforma o sistema/o coletivo. Nesse sentido, você tem razão, o personagem do vídeo está certo nos conceitos, nos princípios, mas equivocado na praxis em uma dada perspectiva.
Ainda assim, cabe a dúvida: não é desses atos radicais que advém a reflexão e possível mediação? É a tal da negociação. Lembra do filme V de Vingança?
Considere que sendo a ação dele, em algum grau alienada, ainda que demonstre compreender o que leva a essa sociedade, a sua ação leva a reflexão, não para fazer o mesmo que ele, mas para constatar que alguém pensou, falou, fez aquilo que já pensamos, falamos, mas ainda não executamos.
Sim, tem algum valor, nesse sentido, considere que os que passaram a história sempre foram radicais, loucos, neuróticos, anti-sociais, reclusos.
A nossa questão é como mediar a mudança, o que devemos e o que pudemos, o correto e o que escolhemos. Esse é o nosso viver.
Já assitiu o filme Mr. Nobody?
Abs
Resposta redigida pelo professor Raimundo Leal (Eaufba)
Lilly Queers
novembro 9, 2011
eu nunca concordei tanto com um vídeo na minha vida.