O mundo é escritocêntrico. É um fato não decidido por mim, mas por vários pesquisadores. Coloca lá no Google é vê os resultados! Disso resulta o que? Simplesmente que para você ser ouvido e aceito numa determinada esfera você terá que colocar suas idéias na forma escrita. Não é suficiente apenas falar, escreva.
Isso não se restringe aos círculos acadêmicos, embora esse seja o local onde isso se coloca mais fortemente. Mas não quero falar da academia, quero falar do dia-a-dia (rimou). Nesse tempo que estive no curso de Letras já ouvi várias vezes as professoras reclamando que os alunos não sabem escrever. Caramba, o povo de letras não sabe escrever!!! Não é só o uso da norma culta e da escrita padrão, mas eles têm dificuldades em produzir textos completos, coesos e coerentes. Não puxando essa sardinha pro nosso lado, mas se nem esse pessoal que passa 4 anos só fazendo isso faz bem, como está o resto da galera?
E isso se tornou o comum, não é coisa de aluno de escola pública, mas de aluno de universidade pública, aquilo que costuma se ver como dois extremosa. Os alunos da área de saúde têm aulas de escrita. Alunos já na universidade!
Observe, essa é a nossa realidade em todas as áreas. Agora relacione isso. Vivemos num mundo escritocêntrico onde a maioria das pessoas não consegue escrever de uma forma considerada aceita pela maioria da sociedade. Isso só aumenta a dificuldade de inserção de novos modos de pensar na sociedade.
Lógico que podemos pensar a internet como forma de contrabalançar isso. Na net temos a liberdade de escrever o que queremos do jeito que queremos, mas isso não é sinônimo de disseminar pensamento. A norma culta e o estilo ainda são importantes para que algo escrito seja considerado amplamente. É algo preconceituoso sim, mas é o que ainda se requere. É possível que alguns consigam furar esse bloqueio? Sim, mas não será a maioria.
Pode-se lutar para derrubar a legitimidade da escrita sobre a fala? Pode, mas não é vantajoso. É necessário que hajam registros que possam ser consultados e não sejam alteráveis. Nesse sentido é mais vantajoso dar a todos a possibilidade de “escrever da forma correta” para que os que escrevem subvertam a escrita. E subvertam sobre o que se escreve.
Aprender a escrever
Publicado em: Crítica Social
Publicado em maio 13, 2011 porJuliana Bastos
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