Porque “administração crítica”?
Crítica é a ação de por em crise, de abalar os fundamentos de algo no intuito de derrubar o antigo para construir o novo em seu lugar.
A administração tem sido “pública”, apresentam-na como “de empresas”, “de marketing”; é tempo de escaparmos destes lugares-comuns e sermos administradores plenos, sermos administradores prontos para mudar as estruturas, e, em favor do que está por vir, abalar as meias-verdades estabelecidas. A administração precisa assumir o seu papel como instrumento e padrão de mudança ética, comportamental e institucional; a Administração precisa ser crítica para deixar de ser um mero aparato técnico, e então poder assumir a responsabilidade de contribuir sistematicamente na construção de uma sociedade diferente.
O administrador é um profissional privilegiado, se encontra no ponto limítrofe que reúne a sociedade e a materialidade, suas demandas sociais, suas determinações políticas e seus “como fazeres” diversos. Assim, pode fazer uma análise complexa e completa para então atuar efetiva e criticamente. Exatamente porque seu primeiro papel é prático, uma abordagem de aplicação do conhecimento – o que significa que todo seu pensar é um “pensar-ação” concreto, e não divagações acerca de castelos de areia no ar – ao administrador está dado um papel libertador da ciência social aplicada, e da própria sociedade.
“Administração” por seu papel social incomparável.
“Crítica” por, a partir deste papel, poder contribuir para repensar criticamente as bases contraditórias do mundo no qual existimos.